sexta-feira, 14 de novembro de 2008

“Barão de olhos vermelhos” – ou o serão de sexta-feira…


Doze minutos, doze quilómetros, podem até nem ser muito coisa, que um segundo na vida tem tantas quantas as diferenças quão diferente for o tempo que precisamos. Podem até ser a diferença entre entrar no carro todo sorridente e ao sair é o corpo do meu piratinha a pedir colo, os olhos vermelhos de febre, “dói-me a garganta”, “dói-me a barriga”, “não consigo comer”, todo o tempo a pedir o colo da mãe, nem o “kispo” quis despir. De volta a casa lá vai Ben-u-ron da praxe e lá vai uma corrida à procura da farmácia de serviço para aviar o Zithromax, sim que isto cá em casa às vezes parece uma mini-farmácia entre pai, mãe e filho.
Sexta-feira à noite devia ser tempo da “night”, de diversão, mas parece que foram todos à procura do mesmo, até só tenho uma dúzia de pessoas à minha frente, nada mau. Espero cá fora, ao frio, ali mesmo ao lado mais uma das muitas lojas chinesas por esse país fora e lá vou eu em busca do medicamento milagroso para qualquer criança (que bom que seria se assim fosse, mas adiante, não me estraguem a magia do momento) e saio de lá com um biplano todo cromadinho, a hélice até roda activada pelo movimento das rodas.
Volto a casa e o meu piratinha está todo encolhido, adormecido no colinho da mãe. Levamo-lo para a cama? Abre os olhos, mortiços, raiados de vermelho, que não, só se o pai se deitar comigo. Mostro-lhe o biplano, voa para a cama o meu barão de olhos vermelhos, até dá rajadas de gargalhadas enquanto eu lhe vou fazendo acrobacias com o pequenino biplano como se um ás radical se tratasse, pai ajuda-me, a hélice não roda, deito-me a seu lado, o seu corpo é um autêntico irradiador de calor, os olhinhos tão vermelhos, mas as gargalhadas continuam vencendo o cansaço, o meu barão vai fazendo “loops” até que se lembra, “ó pai assim o piloto cai se não tiver cinto” e lá endireita o pequeno avião, aterra o ás dos ares, traz o João Pestana a bordo, adormece o filho, adormece o pai. Ali no quarto ao lado, no nosso escritório a mãe às voltas com salas virtuais para os alunos, relatórios e mais relatórios, bem que lhe apetecia fazer voar tudo janela fora.
Bons sonhos meu filho.

14 de Novembro de 2008

3 comentários:

Artista sonhadora disse...

gostei muito do texto,escreves sempre muito bem titio João.
Pois é as danadas das constipações andam ai e das gripes,eu que o diga,que tenho andado constipada também,mas já tá a passar mais,só que já foi também benuron,e antigripine e mais umas porcarias parecidas,e resmas de papel para assoar o nariz,só apetece por um nariz novo nessas alturas.Por enquanto .vá lá que não tive que ir ao médico ,nem tomar o que eles dizem ser um mal necessário,que são os antibióticos.
Porque é que havemos de nesta altura ser atacados por estes virus chatos,que não nos largam ou pelas indesejadas bactérias grrr!!!e logo hoje que era sábado teve uma pessoa que ficar de molho por causa da chata da constipação,porque assim não apetece fazer mesmo nada.
Imagino que a titi Madá,também lhe apetecesse fazer outras coisas bem mais interessantes do que estar a preparar aulas,tenho a certeza que sim que lhe apetecia deitar isso tudo pela janela,mas enfim lá terá que ser,e quanto mais rápido for feito assim depois já se pode descansar.
beijinhos grandes

Anónimo disse...

Sou suspeita a falar, pois ninguém é bom juíz em causa própria, mas efectivamente gosto da forma expedita e ao mesmo tempo carinhosamente meiga como escreves, alías, como já o disse várias vezes foi assim que me enleaste na tua teia, o pior é que tu enleaste-me mas o isco quem o lançou fui eu e tu não conseguiste resistir, eu sei que sou boa, cof cof, mas pronto és o meu amor e só tenho pena que não tenhas mais tempo para me escreveres ainda mais, contos, poemas, dedicatórias, hinos, odes, ou apenas uma simples frase, mas eu também não tenho, por isso vamos escrevendo ao vivo e a cores, nos lábios um do outro, no corpo um do outro, não com a caneta de pena, que tanto gostas, mas com carícias, aconchegos e até onde a imaginação nos arraste...

Anónimo disse...

Gosto da forma como tu sempre carinhosamente falas da tua familia
e claro do texto tambem
Fatinha