sábado, 31 de janeiro de 2009

Por vezes


Por vezes na nossa vida acontecem situações inexplicáveis, sentimentos que não conheciamos, desejos que nunca tinhamos sentido antes. Por vezes, pensamos que estamos sós e sentimo-nos miseráveis, outras vezes sabemos que há quem nos ame, mas somos nós que não nos amamos a nós próprios, por vezes ficamos presos a uma vida por medo do desconhecido, pura cobardia, por vezes sacrificamos as nossas vontades pelos que amamos, por vezes deixamo-nos simplesmente ficar como se nada fossemos, mas por vezes conseguimos a força suficiente para rasgar barreiras, soltar amarras, ir mais além e tentarmos realizar os nossos sonhos mais intímos e secretos.
Sim por vezes somos fortes, muito mais fortes do que julgámos.
Por vezes somos gente, mas gente mesmo gente.

Por vezes a vida é assim...



Maria Madalena, 19 de Junho de 2004

Espreitava em seus olhos uma lágrima

Espreitava em seus olhos uma lágrima,
e em meus lábios uma frase a perdoar;
falou o orgulho, o seu pranto secou,
senti nos lábios essa frase expirar.
Eu vou por um caminho, ela por outro;
mas, ao pensar no amor que nos prendeu,
digo ainda: porque me calei aquele dia?
E ela dirá: porque não chorei eu?


Gustavo Adolfo Bécquer

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009


Mordi-te os lábios
Sorveste-me a língua.
Em concha, a tua mão
Acariciava-me o peito
Enquanto a outra
Se perdia no meu corpo.


Maria Madalena, 30 de Janeiro de 2008

Eu. E tu?


Cascatas de desejo,
escorriam de mim
A vontade louca de te ter
encheu a noite

Chegaste.
Os teus gestos calmos,
A tua voz profunda,
O teu olhar penetrante,
O teu corpo viril,
Envolveram-me.


Sofregamente me tomaste.

No momento
Em que os teus lábios
Tocaram os meus,
E o teu corpo penetrou o meu,
Um prazer intenso
Explodiu por toda a parte
Como um fogo ardente.
Palavras, suspiros, gemidos
Bailaram, ecoaram,
Entrelaçaram-se no ar.

Cúmplices no amor
Prisioneiros do prazer.


Na mais escura das noites
Uma vez mais o sol brilhou.

Como te posso esquecer
Se te cravaste em mim?
Não posso,
Não posso nem quero.

E tu?


Maria Madalena, 30 de Janeiro de 2009

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Eu vou por onde a minha vontade me levar

Esta é a segunda vez que aqui coloco este poema, mas é nele que eu vou encontrar a força para enfrentar de cabeça erguida tudo o que vem por aí...
Não Vou desistir, vou lutar.


Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou -
Sei que não vou por aí!

José Régio

O nosso livre arbítrio

Livre arbítrio… será que o temos? Temo que não. São maiores as amarras que nos prendem, do que as grades de uma prisão.
Estou farta de poesia, de sonhar, de esperar, de planear vidas que não posso viver. Será cobardia, ou apenas me faltam as forças?
Era tão simples se não nos cobrassem nada. Porque motivo as pessoas que mais nos amam, são aquelas que invariavelmente nos fazem mais sofrer? Ironia ou talvez não. Se nos querem tanto bem, porque não nos deixam viver a vida que escolhemos? Porque motivo nos acorrentam e não nos deixam seguir em frente?
Os meus pés, estão enterrados num chão de cimento seco, vou-me vergando com o vento, arrastada por ele, sem opção de escolher o meu próprio caminho.
Era tudo tão simples, se não insistissem em complicar tudo.

Apenas nos iludimos ao pensarmos que somos donos do nosso próprio destino, das nossas próprias vontades.



Maria Madalena, 29 de Janeiro de 2009

Pensamentos soltos

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A minha alma doente

A minha alma está doente.
Peguei nela
e com todo o cuidado
lavei-lhe a ferida,
desinfectei-a,
coloquei-lhe um penso.
Ela não sarou.
Deitei-na no meu regaço,
e agora fico muito quetinha
à espera que o tempo ajude
a curá-la.

Por isso,
hoje estou sozinha do mundo
e o mundo está sozinho de mim.



Maria Madalena, 6 de Março de 2008
Descobri esta relíquia de Fausto, nem parece o estilo dele, mas "por esse rio acima" ,também escreveu poemas de amor.

E depois do teu adeus,
do teu último beijo,
leva contigo a lembrança,
a paixão, o desejo,
ai, de mim o rancor
que ainda guardo e não quero.
Se um dia voltares,
francamente, eu sei,
eu já não te espero.
Será que ando forte
e que te esqueci?
Será que ando fraco
e que me perdi?
Mas em poucas palavras,
ficam belas e doces,
saudades de ti...

Fausto

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009


Bom dia

Hoje pela manhãzinha
A minha voz interior perguntou-me:

-Então dormiste bem?

E eu respondi:

- Sim, na dor da minha insónia,
Sonhei que tinha dormido
Toda a noite calmamente.

Depois ao pequeno-almoço,
Bebi uma chávena de lágrimas amargas,
E comi torrada a minha dor
Barrada com bastante angústia.

Saí de casa num movimento mecânico,
Entrei no carro, como se entrasse num caixão.

Entrei numa estrada de mortos-vivos,
Zombies como eu, neste abismo.

Depois
morri,
matei-me,
mataram-me
Durante todo o dia.

Voltei a entrar no caixão,
A cruzar-me com motos vivos,
A sair do caixão,
A entrar no poço,
A beber mais lágrimas,
A comer a minha tristeza
Refogada com bastante cebola e azeite,
Acompanhada com desalento salteado.
Tudo me soube a sangue e a fel.

Por fim, deitei-me na cama
Para voltar a sonhar que dormia.

Boa noite!

Maria de Madalena, 4 de Abril de 2008

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Indecifrável

Falta-me a coragem,
Só o certo me acompanha,
Queria o impossível,
Subir ao negro céu da noite
Para te poder dar a Lua.



Maria Madalena, 20 de Janeiro de 2009

Foste irreal


Chegaste,
Não sei se cedo
Se tarde demais,
Sei que chegaste
E partiste
Tão dissimuladamente
Como apareceste.

Ainda sinto
O teu respirar,
O teu sussurro,
No meu ouvido

Ainda todo o meu corpo
Se arrepia
Quando recordo o teu.

Foste,
Um murmúrio,
Um suspiro,
Um salpico de onda,
Com a força
De uma tempestade,
De um vulcão,
De uma tormenta que se abate
Sobre o mar
Assim
Me esmagaste,
Me destruíste.

Agora,
Tal como a terra
Se regenera depois de queimada,
Lentamente
Também eu espero
Florir de novo.

Partimos,
Para sempre…


Foste irreal.


Maria Madalena, 20 de Janeiro de 2009

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

De mansinho...


Chovia de mansinho
Como os beijos trocados
Que ninguém nos tira
Naquele carro de vidros embaciados
As nossas mãos procurando
O corpo um do outro
Lábios sedentos
Tão longa a distância
Ainda mais o tempo entre duas semanas
Do primeiro beijo, na testa
De duas mãos que se deram
Agora era um nunca acabar de beijos
Agora era um nunca acabar
De querer estar
Nos braços um do outro
Tão longe um do outro
Tanto mar
E o tempo passando
Devagarinho
Até chegarmos aqui…


João Fernando
19 Janeiro 2009


O que eu escrevo


Se eu escrevo de forma simples
Não é para que os outros
Possam entender
O que digo,
É para que eu
Possa entender
O que EU quero dizer.

Quando escrevo
Não o faço para os outros,
Faço-o para mim,
Eu escrevo os meus poemas
E os meus poemas são meus,

Quando os meus poemas
Forem lidos pelos outros,
Não são os meus poemas
Que lêem
São os poemas que
Eles próprios escrevem
No exacto momento
Em que lêem os meus.

Maria Madalena, 19 de Janeiro de 2009

Adverbialmente


Eu sou aquela
Que escreve
Com a simplicidade
Que só a desinteligência justifica
Ideias insanas.

Advérbios?!
Servem para mentir
De forma elegante.

Amo-te
Apaixonadamente,
Quero-te
Loucamente,
Desejo-te
Perdidamente.

Se mentimos
Porque o não admitimos
Finalmente.


Afinal
Parece que sou aquela
Que simplesmente,
mente de forma Simples.

Eu faço-o
Reconhecidamente,
E os outros?




Maria Madalena, 19 de Janeiro de 2009

Pena Supensa

Pena suspensa
ou suspensa com pena?
Não sei,
talvez nem interesse,
nem quero saber.

Eu e os outros
Os outr(eu)s
Os outros...
...eu.

Com pena suspensa,
Suspensa com pena,
Pena com suspensa.
Sus(penso)!
Maria Madalena, 19 de Janeiro de 2009

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Querida Pequenina

Esta é especial...

Os XXX anos dos Xutos e Pontapés

É difícil escolher as melhores, são tantas, ficam estas, depois deixarei mais... Xutos 4 ever





Faz hoje 30 anos que a melhor banda de Rock Punk (Como eles próprios se identificam) Português de todos os tempos se estreou nos Alunos de Apolo, em Lisboa, imbatíveis, Zé Pedro, a alma da banda e quem nunca a deixou "cair", Tim, João Cabeleira, Gui, Kalu. Conheceram-se através de um anúncio de jornal e foram mais uma das muitas bandas de garagem que surgiram naqueles tempos. Estes marcaram e marcam pela diferença e pela irreverência. Dia 13 de Janeiro de 1978 (tinha eu os meus 13 anos), o início dos Rolling Stones Portugueses, só que os nossos Xutos são bem melhores...

Zé Pedro de visita à minha escola para falar sobre a sua vida, numa palestra direccionada aos alunos das turmas especiais do PIEF.




PARABÉNS XUTOS, SÓ QUEREMOS MAIS 30


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Your Guardian Angel

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E quem disse que o amor é justo? Ou que amar não traz dor?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Primeiro Beijo

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Eu estava lá neste concerto, bem na frente gritando como uma adolescente "Jorge és lindo" e o Emanuel, "mãe cala-te eu não te conheço". Pois é, há noites assim, Rui Veloso, Jorge Palma e Tim, juntos ao vivo é demais mesmo, só isto ou uma boa noite de sexo, para fazer vibrar uma cota como eu :o))) , bom e não só... umas caipirinhas ou margueritas também são bem vindas... rss

Primeiro Beijo, uma música Very Very special for me, nem sabem como, nem vão saber... Quero o meu primeiro beijo...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Cavalgada

Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida
Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque

Vou me perder de madrugada
Pra te encontrar no meu abraço
Depois de toda a cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço
Sem me importar se neste instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de de manhã
Depois do nosso adormecer

E na grandeza deste instante
O amor cavalga sem saber
E na beleza desta hora
O sol espera pra nascer.



Roberto Carlos

sábado, 10 de janeiro de 2009

Infinito


Paixão perfeita
Corpos suados
Exalam um doce odor,
Que os faz desejar
Mais e mais.

De novo,
Entrelaçados,
Viajam ao infinito,
Numa louca cavalgada,
Tantas vezes,
Até desfalecerem
De cansaço e prazer,
Nos braços um do outro.

Assim adormecem
Até o Sol se pôr,
E a lua vir vigiar
O tranquilo sono dos amantes.

É assim a nossa paixão.

Maria Madalena, 10 de Janeiro de 2009

Dialética



É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...




Vinícius de Moraes

"Palavras"

Vieste do nada,
Surgiste apenas
Afável e misterioso
Como uma neblina
No alto de uma serra,
O único rosto
Que de ti conhecia,
Era as tuas palavras

Fizeste-me sonhar
Despertaste em mim
Sentimentos
Há muito esquecidos.

Invadiste
Os meus sonhos,
A minha mente,
O meu coração.
Toda eu eras tu

Lentamente
Foste-me cercando,
Pé ante pé, docemente.
E sem forças me entreguei.
Não era mais minha
A minha vontade,
Nem eu.
Sem dares conta
Tornaste-te senhor de mim,
Tornaste-te o meu dono.

Prendeste-me com as tuas palavras,
Hoje prendes-me com os teus beijos,
Com os teus braços fortes,
Com o teu amor.
Mas ainda e sempre,
Com a força das tuas palavras.

Amo-te!


Maria Madalena, 10 de Janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

As tuas Rosas


Se eu soubesse mesmo
Vagamente,
Que o teu coração
Batia no mesmo compasso
Que o meu
Sairia do meu jardim
Para ir colher as rosas do teu.

As tuas mãos,
Foram as tuas mãos
Que me prenderam,
Não foi o teu olhar,
Ou a tua voz.
Foram as tuas mãos
As mesmas que plantaram
As rosas do teu jardim.
Nunca lhes senti a fragrância
Mas cá de longe desejava-as
Tal como te desejava.

Se eu soubesse mesmo
Ao de leve,
Que o teu horizonte
Cruzava o meu,
Beijaria os teus olhos,
A tua face, a tua boca,
Iríamos juntos ao céu.

Mas foram as tuas rosas,
As rosas que me perderam,
Não os teus gestos,
Ou o teu tocar.
Foram as rosas
Por ti plantadas
Deixadas ao acaso no meu jardim
Que me prenderam,
Me perderam,
Tanto lhe sonhei o perfume
Como te sonhei a ti.

Levaste-me as tuas mãos

Deixaste-me as tuas rosas.



Maria Madalena, 9 de Janeiro de 2009

Tratado



Quero fazer um tratado com o mundo. Nem eu tentarei entende-lo mais, nem ele tentará entender-me a mim.









Maria Madalena, 9 de Janeiro de 2009

Anónima

Como sou pequena
"Escrevo" sempre com esse tamanho de letra.

Ofuscam-me as luzes da ribalta.
É bom passar pela vida despercebida
E Anónima,
Assim, não preciso de máscaras,
Nem de operações estéticas,
Não preciso preocupar-me
Em parecer inteligente,
Posso sempre ser eu
Sem a preocupação de saber qual é o meu melhor perfil
A ser fotografado.

A coragem é uma força fraca em mim.Todos os dias a treino
Para não cair na tentação de viver num sonho sem esperança.

Maria Madalena, 9 de Janeiro de 2009

Sombra errante


Hoje atravesso estradas que não existem
Buscando o fantasma da minha existência.

Sob a luz pálida e trémula da Lua
Encontro os meus sonhos errantes
Que se perderam p’ra sempre.
Já não sou eu que caminho
Já não são meus estes passos
Já não são meus estes sonhos.
Sou a sombra de mim própria
Perdida em caminhos que o já não são.


Não procuro mais nada
Não há respostas p’ra mim.

As bocas de dentes cerrados emudeceram

As palavras esconderam-se em gestos desaparecidos.

Nunca fui, não sou, nem serei.

Entrando pela noite escura
Escondo-me no seu negrume
Não há luz que me ilumine
Nem estrelas que me acompanhem
Não há vida, não há morte.
Há tristeza e saudade,
Há apenas solidão.


Maria Madalena, 9 de Janeiro de 2009

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou -
Sei que não vou por aí!

José Régio

Desencontro


Desencontro de dois sentinentos
Que se perderam
Na imensidão da Negra Noite.

Maria Madalena, 8 de Janeiro de 2009

Adeus, sem saudade, mas com muita dor

Tempo da despedida
Dor intensa.

Chegou um momento de adeus
Vou dizer adeus
Tenho que fazê-lo.
De coração
Dorido,
Sofrido.
Fui peregrina

O caminho terminou,
Não levava a lugar algum
Nunca levara…
Iludi-me.

Lutei,
Em vão lutei.
Sonhei,
Em vão sonhei.

Agora
O tempo é de partida.
De despedida,
De luto,
De sofrimento.

Foi o último acto
Caiu o pano
Acabou a peça.

Descalça
E despida
De sonhos e esperanças.
Parto.
O comboio que me leva
De volta à realidade
Espera-me,
Se o perder
Ficarei
Eternamente
Presa à loucura
Ou à dor maior.

Não sobrou nada.

Tudo acaba, um dia
Tudo tem um fim,
E tudo o que me resta
É apenas a palavra

ADEUS.


Maria Madalena, escrito hoje, dia de despedida.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Hoje, seis anos volvidos

Hoje, estou feliz,
Alegria salta-me dos olhos,
Risos perdidos numa carruagem de comboio,
Sinto-me vivo,
Com o toque da tua mão,
E um beijo na tua testa.
Levei-te pela mão,
No jardim do Campo Grande,
Levei-te comigo, para todos os recantos
Sem te ter ainda a meu lado,
Tocava-te em cada subida,
Sempre.
Foi tempo de zarpar.
Faz para sempre dos meus braços
A tua Angra.
Tão diferentes,
Mas tão iguais na sede de amar,
Agora somos um do outro...
... always.

João Fernando, 6 de Janeiro de 2009

sábado, 3 de janeiro de 2009

Que faço ainda aqui?


Houve um tempo
Em que os meus olhos tinham o brilho
Das pedras preciosas,
Cada um,
Uma esmeralda.
Hoje são baços,
São apenas duas pedras
Cobertas de limos verdes
Pelos temporais da vida,
São apenas dois pedaços de carvão
Apagados, opacos, vazios,
Sem beleza, sem vida, sem valor.

É verdade, tantas vezes procurei
Por baixo da mais pequena folha
De um qualquer um prado verde,
Ou jardim,
No alto do céu azul,
Em cada pessoa que passava,
Em cada espelho,
Em cada montra,
Um sinal
Nunca te encontrei.

Tantas vezes foi a morte desejada
Tantas vezes desejei que desaparecesse
Hoje não compreendo e também me pergunto
Porque não me fui ainda?
Maria Madalena, 3 de Janeiro de 2009