sábado, 3 de janeiro de 2009

Que faço ainda aqui?


Houve um tempo
Em que os meus olhos tinham o brilho
Das pedras preciosas,
Cada um,
Uma esmeralda.
Hoje são baços,
São apenas duas pedras
Cobertas de limos verdes
Pelos temporais da vida,
São apenas dois pedaços de carvão
Apagados, opacos, vazios,
Sem beleza, sem vida, sem valor.

É verdade, tantas vezes procurei
Por baixo da mais pequena folha
De um qualquer um prado verde,
Ou jardim,
No alto do céu azul,
Em cada pessoa que passava,
Em cada espelho,
Em cada montra,
Um sinal
Nunca te encontrei.

Tantas vezes foi a morte desejada
Tantas vezes desejei que desaparecesse
Hoje não compreendo e também me pergunto
Porque não me fui ainda?
Maria Madalena, 3 de Janeiro de 2009

2 comentários:

Taiyo Omura disse...

no terrível sopro do infinito
o pequeno pedaço de esmeralda
cai, e quebra
revelando toda a poesia em cauda:
um meteo-rito de passagem:
bagagem:
de não:
poesia

Maria Mourão disse...

Poema apesar de triste muito lindo:)))