domingo, 7 de dezembro de 2008

E porque é Natal...


E porque é Natal aqui deixo dois poemas de que gosto:

Natal à beira-rio

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

David Mourão-Ferreira


Falavam-me de Amor

Quando um ramo de doze badaladas

se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocava
so que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te consertas
só tu ficaste a ti acostumado.

Natália Correia

2 comentários:

Susana Ferreira disse...

Gostei muito desses poemas titi,este segundo descreve imagens de muita beleza e de muitos aromas,como as nozes os pinhões,as pinhas,o crepitar da lareira,o mel,aromas doces que fazem sonhar.
Mas o primeiro gosto muito também,a imagem do rio do mar,e essa pergunta no fim,Precisam de Jesus,de Mar ,ou de Poesia?eu penso que seja de Poesia,para se sonhar,para se escrever o que vai na alma,para ai sim não se deixar desaparecer o espirito natalicio como está a acontecer cada vez mais.
A Sociedade mudou e muitas pessoas mudaram,e deram a esta época outro significado.
Mas para mim como digo Natal pode ser todos os dias,é sempre que o Homem quiser,porque todos os dias se pode praticar o bem,e ser solidários,e todos os dias se deve ter consideração pelos que nos amam e nós amamos.
beijinhos grandes

Maria Mourão disse...

Lindos poemas
Fatinha