quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Escrevo para Ti


Lindo, bonito, belo, extasiante, ou talvez nem tanto, apenas belo.
Quereres-me? Tal como um cego quer a luz e não a tendo, resta-lhe sonhar com ela, que imagem terá, na sua mente, essa luz? Terá exactamente a forma que ele mais desejar. Terei eu a forma que tu mais desejas? Terás tu a forma que eu mais desejo? Imagino-te então sem forma, apenas tinta em papel branco.
Bonitas palavras, todas juntas compõem belas frases, todas juntas poderiam ser pequenos hinos ao desejo, à paixão, poderiam, mas não são, são apenas um lindo texto, lindo, mas vazio, oco.
Podemos escrever odes ao desejo, à paixão, ao amor, porque realmente o sentimos, podemos até escrever odes à Mulher, porque lhe conhecemos a sua essência, mas não conseguiremos escrever com conteúdo algo a quem não conhecemos, nem tão pouco procuramos, ou nos interessa conhecer.
Eu faço amor com as palavras e o resultado desse amor, ofereço-o a quem amo, à minha paixão, ou simplesmente a quem desejo, mas ofereço-o a alguém que é mais do que uma simples tinta no papel, ou palavras num ecrã.
Quando leio um belo poema ou um belo texto de amor, faço-o meu, deixa de ser de quem o escreveu e passa a ser meu, meu e da minha realidade ou do meu imaginário que é construído pelos meus desejos, ambições, paixões concretas ou secretas.
Não me escondo por detrás de belas palavras, de belos textos, desprovidos de contexto. Revelo-me e sou autêntica, porque eu sou alguém que existe realmente, sou alguém que SOU. Jogos de palavras, lindas declarações de amor, deixam de fazer sentido quando não lhe damos o seu real sentido, um contexto.
Poderíamos ficar aqui eternamente neste sensual jogo de palavras, mas acredita, a partir de certa altura nem evocando todos os deuses gregos, romanos, egípcios, todos os deuses da Terra, eu consigo escrever algo com conteúdo. As minhas palavras não fazem eco em ti, apenas as absorves, as ignoras e o que me devolves é algo que nem é meu nem teu.
Sou uma mulher que gosta de viver as emoções a fundo, tirar delas tudo o que me possam dar, não consigo viver sem amor, sem paixão. Sou uma eterna apaixonada, sou feliz, sinto um amor pleno, sou amada, sei aquilo que quero, sou tenaz e não desperdiço o meu tempo em causas perdidas. Quando quero ler uma bela declaração de amor, leio O’ Neill, Neruda, Florbela Espanca, Eugénio de Andrade, Jorge Amado, Vinicius de Moraes, Gabriel Garcia Marquez, enfim uma infindável lista de escritores e poetas.
Não faço amor com as teclas de um PC, nem com as belas frases que aparecem no ecrã desse PC.
Eu contei-te quem era, revelei-me, tu continuaste a esconder-te atrás das palavras. Eu não preciso de te imaginar, de fazer de ti aquilo que mais desejo, eu já TE tenho bem presente a meu lado, fazes amor comigo, acordas ao meu lado todas as manhãs, cuidas de mim, amas-me, tal como eu TE amo, como eu cuido de ti, como te desejo com todas as forças do meu ser. Os nossos corpos suados, na realidade encontram-se na noite, durante o dia, na nossa cama, algures no alto dos Montes da Lua, numa clareira em Monserrate, ou num pequeno bosque numa daquelas ilhas achadas a que deram o nome de uma ave. É aí que as nossas bocas se encontram, que as nossas línguas se tocam, que os nossos gemidos se entrelaçam, que os nossos corpos entram numa doce convulsão, para depois terminar num beijo doce, num abraço em forma de concha que me envolve de alto abaixo. Se TE posso ter desta forma, para quê perder tempo com palavras vazias? Gosto muito mais de escrever poemas de amor que ofereço a quem os quiser para que os tornem seus e sentirem as emoções que lhes possam transmitir.
Não sei moldar as palavras, mas sei muito bem exprimir o que me vai, no coração.

"Pensamentos Soltos" Maria Madalena, escrito no dia 19 de Dezembro de um ano por inventar ou talvez já inventado.

1 comentário:

Maria Mourão disse...

lindo texto exprimes bem aquilo que sentes
Fatinha